quarta-feira, 4 de maio de 2011

Não foi o governo que perdeu ... foi o país!

Evolução das taxas de juro desde que o governo de José Socrates sem maioria entra em funções (outubro de 2009) até ao momento em que é assinado o acordo com a troika FMI-BCE-CE (maio de 2011).

Legenda:
  1. A 12 de Abril de 2010, Simon Johnson diz que a UE deve colocar um pacote de ajuda “preemptiva” a Portugal.
    A 15 de Abril de 2010, Socrates nega que tal ajuda seja necessária (os juros estavam a menos de 4.5%) [NY Times].


  2. A 13 de Maio de 2010, reunião de Socrates com Passos Coelho onde foram aprovadas medidas para o PEC extraordinário [JNeg].

  3. Período de discussão entre PS e PSD para aprovação do orçamento de estado OE2011.
    A 27 de Outubro há uma ruptura nas negociações [AF1][AF2]. Teixeira dos santos diz que propostas do PSD comprometiam meta de défice [AF]. Às 23h19 do dia 29 de Outubro, o acordo para aprovação do orçamento é assinado entre Teixeira dos Santos e Eduardo Catroga.[JNeg].

  4. Teixeira dos Santos diz que se a taxa de juro atingir os 7% pede ajuda externa.
    Os mercados de imediato fizeram subir as taxas de juro até aos 7% como que a forçar o pedido de ajuda.
    Depois estabilizam à volta dos 7% como quem está à espera que a ajuda seja pedida.

  5. A 9 de Março de 2011, o leilão de dívida portuguesa a 2 anos é um sucesso, impulsionando o Euro e ganhos consideráveis nas bolsas [Market Watch] [US Today] [Irish Times] [Reuters].

  6. A 23 de Março de 2011 o PEC IV é chumbado, com impactos imediatos [Económico] [Reuters] [LA Times] [Wall Street Journal] [ABC News].

    O comissário europeu dos Assuntos Económicos, Olli Rehn, tinha "avisado que a disputa política à volta das novas medidas pode pôr em causa uma solução para a crise da dívida pública portuguesa" [Público @ 2011-03-13].


Comentários:
    Analizando a cronologia dos acontecimentos e comparando-a com a evolução das taxas de juro verifica-se que a aprovação do PEC (em B) conseguiu conter os efeitos que se seguiram à publicação do artigo do senhor Simon Johnson (em A).

    Repara-se também que a crise começa com a crise de indentidade do PSD.

    «O Governo tem estado bastante bem nas respostas que tem encontrado para a crise financeira, que, de resto, não são respostas muito originais, são concertadas ao nível europeu, mas que têm funcionado bem em Portugal» - Passos Coelho (10.12.2008)

    Mas agora Passos é lider, já não pode defender o governo. Aprovou o PEC mas tem de fazer caro o orçamento.

    Devido à necessidade do PSD de fazer oposição e a rumores de que a aprovação do OE2011 não vai ser tão fácil como foi a aprovação do PEC, verifica-se alguma instabilidade em julho de 2010.

    E a tendência clara de subida começou exactamente quando o PSD se começou a fazer de difícil para aprovar o orçamento.

    A motivação que me levou a fazer este post foi ver Catroga a dizer na TV (em 3-maio-2011) que «o governo perdeu».

    Oh senhor Catroga, não foi o governo que perdeu. Foi o país!!!!!!!

    O país perdeu imenso com o facto de ter uma oposição irresponsável.

2 comentários:

  1. "O país perdeu imenso com o facto de ter uma oposição irresponsável."

    Propaganda PS para outro lado. estamos em recessão desde outubro de 2010, não foi o chumbo do pec 4 que criou a recessão.

    Verdadeiros Anónimos não estão comprometidos com os interesses de grandes grupos económicos e de partidos corruptos.

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  2. Os dados apresentados neste post não falam só do PEC IV.

    O post começa por falar do artigo, talvez interesseiro, de um ex economista-chefe do FMI que diz que Portugal é o próximo grande problema. Este estudo foi publicado 12/Abr/2010 quando os juros estavam a 4.3%

    Fala da atitude expedita de Sócrates e Teixeira dos Santos que 2 dias depois estão nos USA a refutar veementemente o que é alegado nesse artigo.

    Fala do efeito positivo da aprovação do PEC II, que conteve as consequências do artigo de Simon Johnson, que por ter sido expedita reduziu os juros para valores muito próximos dos existentes antes do artigo ser publicado.

    Fala da posterior alteração de posição de Passos Coelho.

    Fala da primeira grande responsabilidade da oposição em DEMORAR UM VERÃO para decidir se viabilizava ou não o OE2011. No final desta looonga negociação os juros já estavam nos 6.5%, descendo para os 6% após o PEC III.

    Este post fala também do efeito do Ministro das Finanças dizer que se os juros chegassem aos 7% pediria ajuda. Esta atitude revelou que os mercados são puramente especulativos, pois mal o Ministro disse isso os juros subiram de imediato para os 7%, contrariando a tendência de queda que vinham a registar.

    Por fim este estudo revela o que o comissário Olli Rehn já tinha dito, que "a disputa política à volta das novas medidas (PEC IV) pode pôr em causa uma solução para a crise da dívida pública portuguesa"

    Sim, como se pode ver no gráfico de fontes internacionais, após o chumbo do PEC IV a taxa de juros subiu dos juros dos 7.4% para os 9.6%

    Quando o ex economista-chefe do FMI Simon Johnson disse que a UE devia preparar um pacote de ajuda preemptiva (os americanos devem gostar muito desta justificação, pois já a tinham usado para atacar o Iraque) os juros estavam nos 4.3%. Agora a ajuda chegou com uma taxa de juro superior a 5.5% (*)

    Obrigado FMI, se com 4.3% de juro estavamos mal, com 5.5% devemos estar muito melhor!!!! Com amigos destes quem precisa de inimigos.

    Este post não é propaganda do PS, é um artigo de opinião devidamente fundamentado.

    (*) http://www.ionline.pt/conteudo/122440-juros-da-ue-uniao-europeia-cobra-mais-portugal-do-que--grecia

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